Monday, February 16, 2009

Aniversário

Sempre achei que entre as coisas que se pode relativizar, não se incluíam datas. Principalmente datas importantes, tipo aniversário. Eis o dia em que descubro que nasci à 00h45min do dia 16/02.

Explique isso para uma criança e assista ela filosofar por alguns segundos.

Mas eis que a astrologia, "ciência" inexata, na qual faço questão de acreditar, me aparece com uma surpresa: na data em que você nasceu era horário de verão. Passei minha vida inteira achando que pertencia aos primeiros minutos do dia 16, quando na verdade pertenço aos últimos do dia 15.

Eu acho interessante. Olha só, já escutei muitas coisas sobre horário de verão: por que sim, por que não. Se há aumento da eficiência energética, se há diminuição do bem-estar. Não sei. E quanto a fatores de custo e de benefício, prefiro não opinar.

Tudo o que sei é que serviu para me deixar confusa... em algum grau. E esclarecer, o porquê de eu dever comemorar de virada. Decretei que meu aniversário - a data - não é estática, localiza-se em um continuum iniciado no dia 15/02 as 23h45 e terminado no dia 16/02 à 00h45.

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Friday, February 13, 2009

5 anos depois

A piada é velha: deixei de ser o futuro da nação para ser problema social. Oficialmente, desde 5 de fevereiro sou bacharela (sim, o Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa indica a existência deste termo no feminino). Mas e agora?

Uma amiga diz que a sensação de estar graduada é de alívio: ter-se livrado da Universidade. Discordo. Amo minha universidade, considero-me privilegiada de ter estudado em uma "federal" e espero (e quero) retribuir à sociedade o investimento em mim realizado. Outro amigo diz que a gente se sente mais sábio - será?! Constato que sei menos do que gostária e, sendo o sábio aquele que detém saber... a dica está dada. Eu me sinto parcialmente igual, algo aliviada é verdade mas receosa de como serei recepcionada pela "vida real".

A formatura, para mim, foi antes um momento de revisão. Mais até que o ano novo. Encerro 5 anos de.... nossa! De tanta coisa! Cinco anos é tempo, de verdade, principalmente quando levo em consideração que poderia ter terminado em 4. Valeria a pena?! Não tenho dúvidas que não.

Seria muita prepotência dizer que não me arrependo de algumas das minhas escolhas. É lógico que errei, e muito. Longe de ser uma aluna exemplar, esforcei-me o mais que pude quando pude e aprendi a aceitar as limitações quando elas existiram. Trabalhei, estudei, viajei, monografei e, principalmente, fiz grandes amigos e me estabeleci na cidade.

O atraso de um ano resulta de uma ausência de aproximadamente 7 meses da cidade. Quase dois semestres letivos (considerando que eles são quadrimestres). Insisto em me convencer de ter feito as escolhas certas, mas a racionalidade não me permite pensar em termos de 100%.

A verdade é que, se passei dos 50% de acerto, está bem, pra que mais? Após cinco anos na faculdade é o único que desejo.

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Thursday, November 06, 2008

Cançado Trindade na Corte, mas o jornal foi tomado por Obama

Pausa na monografia, olho os jornais, on-line, é verdade, mas não menos jornais por isso.

Fico de cara, que em qualquer jornal brasileiro, de grande circulaçao, tudo o que aparece, nas seções de notícias políticas, nacionais e internacionais, é o Obama. Até citam a ONU, mas para contar notícias estritamente européias.

Nosso país, o Brasil, esse que fica fazendo auê por um assento permantente no Conselho de Segurança das Nações Unidas, não comemora a conquista de ter um juiz eleito na Corte Internacional de Justiça.

Sempre haverá os que argumentarão que a Corte nao se presta para fins políticos. Entretanto, não precisa ser um gênio para concluir que o direito internacional é mais sobre política do que se gostaria.

Ficam aqui meus parabéns e o meu "eu já sabia".

Antônio Augusto Cançado Trindade, brasileiro, ex-juiz da Corte Interamericana de Direitos Humanos, agora é juiz da CIJ. =D

http://www.un.org/News/Press/docs/2008/sc9494.doc.htm

Tuesday, October 14, 2008

Uma Música para um Formando

Ah... a democracia...

Em nossas práticas diárias, às vezes não nos damos conta do quão impregnado o senso democrático está em nós. Para tudo que se queira fazer em grupo, vota-se. Mas há um problema: a democracia não é única. Não vou entrar em teorias... primeiro, porque este Blog não é para isso e segundo, porque apesar de um dia ter tido contato com as teorias, já não as sei. Lembro-me entretanto que muita gente passou uma quantidade considerável de tempo especulando fatos e fatores relacionados ao assunto.

Finalmente chego ao ponto em que queria. A formatura. Se você já passou por isso, sabe o quanto é difícil tentar coordenar a vontade de todos. A minha turma está em processo de escolha de músicas. É, não sei como é/foi/será na sua faculdade, aqui a coisa é assim: tem uma música pra entrada dos formandos - visualize as pessoas de beca, num país tropical, subindo ao palco com várias luzes em cima. Mas calma, são dois cursos, entra o primeiro com uma música e o segundo com outra.

Falatório. Hora de entregar os diplomas e... música maestro!! Aqui tem de ser música instrumental, obrigatoriamente, para que ao se chamar o formando as palavras do cerimonialista não se misture com a música de fundo. Uma vez mais, duas músicas.

Agora é o bloco da uma música: homenagem aos pais e "saída". E aí? Deixamos a música de fundo da homenagem ao critério da dupla que fará o discurso? O que me tranqüiliza nesse item é que o consenso certamente será atingido com facilidade. E a saída? Na verdade nessa hora ninguém sai direito, é aquela hora em que as pessoas jogam seus chapéus para cima e começa o abraçatório, as fotos, a descida do palco, os cumprimentos... essa é a mais importante, sem dúvida... e a mais complicada.

São dois cursos, de perfis bem diferentes. Ouvi dizer que do outro lado poderia ter uma sugestão de axé. (Quase) nada contra... mas c'mon imagina o fim de curso com "acabou" ou "extravasa"? Bom, pra mim seria 'o fim'. Mesmo. A sorte é que isso nunca passaria pelos meus colegas cujas sugestões são todas maneiras, pelo menos até agora. O procedimento adotado então foi de duas casas e dois turnos. Curso 1, escolhe uma música para a grande final. Curso 2 escolhe outra. As duas são postas em pauta e os alunos dos dois cursos votam por uma ou outra opção... ouch! But better like this.

Mas aposto que em seu ser interior e egoísta, em seu lado mais negro, houve quem pensasse: what the f... democracia EU quero escolher as músicas, SOZINHO.

So sorry, baby, get used to it: there is no such a thing when we do something in a group

Ah! E a ausência de axé e as boas sugestões até o momento me tranqüilizam para votar, indiferente de qual seja o resultado, fazendo uso do que a democracia tem a oferecer de melhor: a liberdade de não ter de seguir o fluxo.

Tuesday, October 07, 2008

Inovação em Telemarketing

13h40

- Fidelidade TAM, bom dia!
alguns segundos de confusão, demorei um tanto a responder, afinal, na minha cultura esse horário já é tarde, mas vai que nessa coisa de internacionalização dos serviços eu estou falando com uma central indiana? Aliás, qual o fuso horário da Índia? Bom, se não era na Índia era em algum lugar onde era de manhã, às 13h40 no horário de Brasília. Sejamos educados e intercultural, não sei onde estão essas pessoas...
-Bom dia!
- Com quem eu falo, por gentileza?
- Com Luiza
- Obrigada senhora Luiza, quer viajar para onde?
- Olha, eu ainda não cheguei nessa parte, já me perguntaram duas vezes isso, mas eu sequer consigo acessar minha pontuação da fidelidade...
- Vou tentar contatar o setor de senhas, aguarde um momento por favor...
- Ok. Obrigada.

E mais uma vez pendurada no telefone, tenho tempo de especular: onde ficará a central de atendimento de senhas? Em algum outro país especializado em serviços? Será que lá é m,adrugada e tem poucas pessoas de plantão, por isso ninguém atende? Ai Deus... deixa eu parar de imaginar coisas e ir cuidar da vida.

A noite tento de novo, quem sabe as pessoas indianas já almoçaram e vão me passar para outra parte do mundo onde, depois do café da manhã, tenha mais gente para atender o telefone.

Sunday, September 21, 2008

Carta do Amor Perdido

Meu querido...,



é difícil escrever assim, sem dizer seu nome, sem repassar a história, sem explicar os porquês.



A verdade é que nem sei se existe razão ou explicação para tudo isso. Não, não existe. Gosto de ti e isso é tudo. Aliás não é tudo, falta falar que em mim você só vê uma amiga, quiçá nem isso. E, embora esteja te escrevendo, numa demonstração absoluta de falta de amor próprio, escrevo-te para contar o quanto estou feliz por ter tomado uma decisão. Você sabe como adoro dividir minhas decisões.



Se você não se importar mais comigo, em absoluto, ignore, a partir daqui, meu bilhete.



Ontem tomei uma decisão importante. Apaguei da minha agenda o teu número. Fiz isso não num ataque de irracionalidade, mas sim, de sanidade, serenidade. Apaguei, sim, mas isso não significa que não quero mais falar contigo, eu não sou assim, você sabe. Antes fosse. Mas o fiz em reconhecimento a sua falta de vontade de falar comigo, de atender às minhas ligações. Sei que jamais deixaria o telefone tocar, mesmo sem querer responder, se soubesse que era eu do outro lado. Não é justo te impor minha presença.

Ainda assim, mesmo querendo me ausentar, tenho essa mania estranha de dizer. Avisar.

Termino aqui.

X.

Thursday, September 18, 2008

O Bloco do Eu Sozinho e o Primo do Vizinho do Josias

Certa vez, vendo um filme, aprendi uma coisa: 'se você não tem nada agradável a dizer, então é melhor não dizer nada' - a fala acho que era assim mesmo, um conselho a um personagem bastante dado a grosserias gratuitas.

Eu não gosto de escrever sobre coisas que eu penso. Sabe aquela sensação da pessoa chata, que só sabe falar de si? Bom, pra mim isso cansa horrores, salvo se forem histórias de aventuras, fatos inusitados ou algo que realmente valha a pena. Entretanto, se esse não for o caso, às vezes é melhor escutar as conversas, fazer pequenas intervenções e guardar todos os "Eu..." suspeitos para um psicólogo, ou para um amigo muito próximo. Mais chato do que isso só mulher com TPM, que não só fica histérica e/ou deprimida, como consegue transformar o humor do universo que a rodeia em algo parecido com isso. Eu sou mulher e não me excluo disso.

Por outro lado, sempre vai haver o primo do vizinho da Maria, lembra dele? Pois é, outro dia aconteceu algo bizarríssimo com ele... por mais que ninguém saiba quem é o Josias, o fato de ser alguém genérico dá outro tom a conversa. Até por que ninguém vai contar como o Josias estava deprimido esses dias por isso ou aquilo. Sim, as histórias dele que chegam aos desconhecidos são sempre as legais, aquelas em que ele teve um insight, ou havia incorporado um santo... quer ver? Não sou boa em contar histórias, ainda mais as do primo do vizinho da Maria, ainda assim, vou tentar. Na verdade a história é da irmã dele a Juraci (e por favor não me questione sobre os nomes que a mãe deles escolheu).

Blitz. O guarda sinaliza para que a Juraci encoste o carro. Documentos, carteira de motorista... 'A senhorita poderia abrir o porta-malas?', a Juraci olha pra ele, nos olhos, e diz num tom jocoso 'Você está brincando né?! Você acha que eu tenho cara de quem tem um corpo no porta-malas?'. 'Eu preciso verificar' ele responde, não num tom grosseiro, por que a Juraci é linda, a ponto de fazer o policial desconsiderar sua falta de comedimento com as palavras. 'vai que você está transportando algo ilícito...'. Ela desce, abre o compartimento, e bom, ela carregava uma caixa de copinhos de água. 'E isso aqui?' o policial perguntou. 'Ah! É água...'. 'Você está traficando água?' 'Aaaahm?!' 'Você tem a nota fiscal disso?' 'Moço, isso foi uma doação pra uma campanha que eu trabalho, olha tem a etiquetinha da companhia de água....!' 'Haha! Então quer dizer que é patrimônio público?' ela responde meio impaciente com toda a situação, 'foi uma doação...'. 'Então vc tem o termo de doação?' 'Você tá brincando né?!' nessa hora a amiga dela - impaciente, obviamente - desce do carro: 'Olha moço, você quer um copinho de água? Pode pegar... sério! Mas deixa a gente ir embora de uma vez?', ele não se comove e sustenta o tom humorístico adotado nessa... ahm... inspeção??? Não me prolongarei na questão da (não) execuçã ode seu trabalho de agente público em prol de uma conversação de leve com uma moça bonita, ele responde pra amiga: 'você tá tentando me subornar com água? Tá bom, tá bom podem ir...' E elas foram....

Isso não soa tão engraçado, o legal é com a intervenção dos outros. Mas veja bem, melhor do que contar os assuntos pessoais da irmã do Josias, cujas histórias sempre se tratam da prima da vizinha.

Importante nisso tudo? Nada... eu parti de uma frase da mãe do Tambor, do Bambi (sim do desenho da Disney), o que se pode esperar disso?